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análise // the office // ultimatum (s7ep13)

Andei assistindo vários episódios das primeiras temporadas do The Office nos últimos dias. O humor tradicional da série é fantástico: piadas geniais apenas com a entonação e o silêncio de situações embaraçosas. Bom, melhor dizendo, era.

The Office está perdendo o rumo.

É triste admitir.

A série não é mais a mesma e quase todos os personagens perderam grande parte de suas personalidades – tornando-os elementos caricatos que poderiam, facilmente, integrar um sitcom qualquer.

Depois do mini-clifhanger após o episódio de natal (recurso já utilizado em temporadas anteriores, inclusive) todos estão ansiosos para saber do chamado “ultimato” que Holly, funcionária do RH, teria dado para o seu noivo: caso ele não propusesse o pedido de noivado tudo estaria terminado, dando chances para o chefe do escritório mais icônico de Scranton. Holly chega sem aliança em Dunder Mifflin, causando uma alegria imensa em Michael, celebrada com uma cena hilária com banhos de champagne, vídeos pré-gravados de otimismo e muita música – tudo em sua sala. Mas, como nem tudo é tão fácil quanto parece, o resultado não foi o esperado – o ultimato não passava de uma brincadeira de fato, deixando Michael muito decepcionado com a falta de palavra de Holly.

 

Happy box!

 

E o chefe legal, otimista e engraçado sai de cena. Entra um outro Michael que ninguém gosta – arrogante, sem noção e até mesmo vulgar. Nem mesmo o Michael Scott da 1ª temporada (mais ligado ao arrogante David Brent) faria o pobre Kevin praticamente engolir um brócolis guela abaixo. Mas os problemas com a identidade dos personagens estão apenas começando.

 

Michael como chefe babaca. Ok. Michael como chefe perverso? Oh-oh.

 

Dwight, Andy e Darryl (ainda acho que essa super-exposição do Darryl recentemente pode indicar ele como futuro subtituto de Steve Carell) saem para “pegar mulheres soltas” em Scranton, passando inicialmente em uma livraria para Darryl comprar um e-reader em uma das piadas mais fracas dos últimos tempos. (caras durões também tem sentimentos) Dado o insucesso na investida, o grupo parte para um clube de strippers, sendo atraídos no meio do caminho por um clube de patinação.

Com o clube (obviamente) vazio em plena segunda-feira de manhã, resta um humor palhaço que me orgulhava da série não ter em suas primeiras temporadas. The Office costumava ser o humor inteligente. Piadas que deve-se parar para entender, ou serem universalmente engraçadas apenas pelo silêncio ensurdecedor. Ver Dwight – um dos personagens mais rudimentares que se tem conhecimento – agir como um cara “engraçadinho” tenha talvez sido a gota d’água.

 

Não é o Darryl, Dwight e Andy que eu conheço

 

Um enredo secundário envolvia Pam coletando as resoluções de ano-novo de todos os funcionários em um quadro, dando abertura para mais detalhes das novas personalidades distorcidas de todos os personagens. Destaque para a ausência sem explicação de Jim, que apareceu somente na abertura.

 

Quadro de resoluções. Bom conceito. Implicações indesejáveis.

 

Steve Carell está saindo. Michael Scott vai embora. Por mais que falem o contrário, The Office é sobre o chefe inconveniente que realiza diversas atitudes inapropriadas em um ambiente de trabalho pacato, com personagens diversificados, porém acreditáveis. Essa parte do conceito o The Office americano já deixou de lado faz tempo. Com a saída de Michael Scott a perda pode ser total.

 

Ruim

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seguidores do the social network – redes sociais diferenciadas

Talvez motivado pelo recente (e excelente) filme “A Rede Social” existem diversas novas redes sociais surgindo a cada dia, todas mirando o mesmo estrondoso sucesso da jogada de mestre de Mark Zuckerberg. Mas certamente migrar todos os 500 milhões (e subindo) de usuários da rede social mais popular do mundo não será tarefa fácil, então essas novas redes sociais buscam ter algum diferencial, são elas:

moovee.me

análises de filmes com poder de síntese

O que diferencia o Twitter do Blogger ou do WordPress? Além da incapacidade de formatar o texto inserido, a plataforma do pássaro azul mantém sua popularidade por seu forte poder de síntese: até o mais tradicional orkuteiro tem que dizer tudo em compactos 140 caracteres.

Todos adoramos saber o que nossos amigos, conhecidos e até críticos recomendam em matéria de filmes, mas nem sempre temos tempo (e paciência) para ler grandes análises de filmes postadas na Internet.
Eis que surge mais uma rede social: moovee.me.

Criada por brasileiros, a rede social promete poupar seu tempo na escolha de o que assistir, oferecendo análises de filmes em línguas selecionadas e uma média de todas as notas postadas. Análises que ajudam podem ser positivadas pela comunidade, enquanto elogios ou xingamentos demasiados sem sentido podem receber um thumbs down questionável. (nem todos gostam de Toy Story, por exemplo) Pegando o conceito de seguir e ser seguido emprestado do Twitter, a rede social segue integrada com Facebook, permitindo uma fácil divulgação de suas análises em uma mais ampla escala.

orangotag

a rede social de séries

Também criada por brasileiros, a Orangotag permite socializar uma recente mania que tomou conta do povo brasileiro de uns tempos para cá: a paixão por séries.

Sériemaníacos como eu nem sempre conseguem gerenciar quais novos episódios estão saindo essa semana, quando haverá o tão esperado Season Finale ou aquele Premiére esperado por meses. Para isso, o Orangotag oferece uma interface que lhe avisa, seja pelo próprio endereço ou com um RSS personalizado, quando novos espisódios já estão disponíveis, além de permitir adicionar seus amigos e melhores amigos (chamados de “macacos velhos”) com os quais é permitido inclusive assistir episódios em parceria.

A experiência de análise de episódios funciona similar ao iTunes, por estrelas de 1 a 5, sem possibilidade de comentários agregados, apenas em mensagens soltas em páginas próprias de cada série ou episódio, da mesma maneira que comentários em um blog funcionam.

A usual integração com o Twitter e o Facebook também está presente, suportada por servidores que lutam para lidar com a crescente demanda de tráfico.

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hello, my name is chuck

Imagine que você é um pacato trabalhador de uma tradicional “mega loja” americana. Você oferece assistência técnica em uma seção chamada “Nerd Herd”. Sem muitos planos para o futuro, certo? Assim era a vida de Chuck Bartowski. Entretanto, sua vida muda com a leitura de um simples e-mail. Nele, estavam contidas uma série de imagens codificadas com mensagens subliminares que, de alguma maneira, colocaram todos os segredos do governo – armazenados anteriormente em um mega-computador chamado Intersect – no cérebro de Chuck.

O mega-computador, Intersect e suas imagens codificadas

O mega-computador, Intersect e sua s imagens codificadas

E como é ter um mega-computador como cérebro? As informações armazenadas não podem ser acessadas a qualquer momento, suas memórias precisam ser ativadas através de uma imagem, som ou voz, que causam flashes de informação. Chuck percebe isso logo ao ouvir o rádio, sabendo de uma informação secreta da CIA que fora abafada no noticiário.

Mas quem mandaria tal “presente” anexado em uma mensagem? O agente corrupto da CIA – e ex-colega de quarto de Chuck – Bryce Larkin era justamente a pessoa que Chuck mais odiava. Ele foi responsável por coletar as informações do super-computador e mandar a única cópia existente para o seu ex-colega de quarto. Não demorou muito para a CIA e a NSA descobrirem quem recebeu o e-mail. Aí queos agentes Sarah e Casey entram para proteger o Intersect humano. Sarah como uma namorada de fachada, e Casey como seu colega de trabalho.

Casey, Chuck e Sarah

Casey, Chuck e Sarah

Chuck é uma série única. Ela consegue reunir com sucesso dois gêneros antagônicos: ação e comédia em uma única série de TV. Mesmo sendo 40 minutos por episódio, a história nunca parece alongar-se – algo que acontece freqüentemente com séries deste tamanho. Uma dinâmica rápida foi mantida ao longo de suas duas primeiras temporadas – sem episódios enrolados. A série ganhou o prestígio dos críticos da TV, mas não teve a mesma resposta da audiência, chegando a ficar “na bolha” (séries ameaçadas de cancelamento) no final de sua 2ª temporada. Entretanto, os fãs fiéis do programa fizeram uma campanha para salvá-lo, comprando os produtos da SubWay, grande patrocinadora de Chuck.

A ideia deu certo, e a 3ª temporada está confirmada para estreiar em março de 2010 – tempo suficiente para alugar/baixar os primeiros episódios e assisti-los.
Não é nenhum segredo do governo: essa série é demais.

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Análise – Lost – 5ª Temporada

Ah, Lost. Uma série que conseguiu sobreviver (em parte) ao enorme hype de sua primeira temporada. Agora, cinco anos depois, os monstros de fumaça, os números e muitos outros mistérios já estão resolvidos, certo? Errado. Há um ano de sua conclusão, Lost ainda não nos revelou grande parte de seus segredos. Mas ao menos já tivemos uma pista do caminho que será traçado em 2010. Em maio teremos a resposta. Ou não teremos?

A quinta temporada de Lost pode ser resumida em um assunto: viagens no tempo. Sim, Faraday era tão importante para a série quanto acharam que ele seria. Sem um físico por perto, como explicar para os mais céticos como podemos estar em um segundo no ano de 2005, e logo em seguida em 1977? Acreditar na fé – o caminho de Locke – nem sempre é o suficiente para os Lostmaníacos. Flashfowards viraram padrão nesse ano, (ou flashbacks, dependendo do ponto de vista) preenchendo algumas lacunas deixadas pela ida e vinda dos sobreviventes.

Elenco de LOST... dividido no tempo e espaço.

Elenco de LOST... dividido no tempo e espaço.

Quem assiste a série apenas passivamente deve estar sem entender nada mesmo. “Eles não queriam sair da ilha, porque estão voltando?” provavelmente é a pergunta mais frequente. Às vezes até os seguidores assíduos param e se perguntam isso também. “Mas aquela é uma ilha especial” é a resposta. Não é a toa que a série está perdendo audiência progressivamente. Porém, aqueles que seguem religiosamente como eu, se sentem cada vez mais realizados. (ou decepcionados…)

Mais uma vez, a dupla John Locke (?) e Ben é a chave de muitos mistérios.

Mais uma vez, a dupla John Locke (?) e Ben é a chave de muitos mistérios.

Com um tema tão abrangente como viagens no tempo, mais perguntas do tipo: “e se…?” surgem. E a série responde. Podemos alterar o passado? Não, os eventos se “consertam” sozinhos. Podemos voltar à vida na ilha? Não, Locke era um zumbi.

Vivendo no passado... tem algo mais "Lost" do que isso?

Vivendo no passado... tem algo mais "Lost" do que isso?

Algo a ser destacado nesse 5º ano é o dinamismo da temporada em geral. As viagens no tempo aceleraram a narrativa tradicionalmente lenta (contar histórias sobre o passado dos pesonagens) vistas nas primeiras temporadas. Claro que sempre sobrou um tempo para dar lições de vida, questões filosóficas e coisas do tipo, mas agora temos isso em versão turbo.

Resumindo, se você é um daqueles que abandonou Lost na 3ª (e mais fraca) temporada, talvez seja hora de dar mais uma chance para a turma do Flight 815. Quem acompanhou a série até aqui (gostando ou não) certamente irá assistir até o final para desvendar a tonelada de mistérios que essa ilha já nos ofereceu ao longo dos anos. Se as coisas continuarem indo nesse ritimo, os Lostmaníacos vão poder descansar enfim – a série foi um sucesso do início ao fim.

Os Prós

• Resposta de alguns dilemas que há tempo assombram os Lostmaníacos.

• Enredo traz a sensação de que tudo já havia sido planejado desde o início.

• Viagens no tempo. Sim, elas são demais.

Os Contras

• Alguns episódios menos interessantes no meio da temporada quebram o ritimo acelerado do início.

• Viagens constantes no tempo podem deixar o espectador confuso.

★★★★½

Fantástico

 

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Análise – Parks And Recreation – 1ª Temporada

A primeira versão do The Office (a do Reino Unido) foi um tiro no escuro. Com um novo gênero e uma maneira diferente de relacionar os personagens, a atmosfera de “mockumentary” – um falso documentário sendo gravado – abria (e restringia) inúmeras possibilidades. A fórmula passou para a versão americana, que teve certa instabilidade na audiência de sua primeira temporada, mas conseguiu, graças aos downloads do iTunes, garantir um segundo ano de exibição, solidificando a base de fãs.

A história parece se repetir em “Parks and Recreation”, um novo mockumentary que revela os segredos da vida política de Leslie Knope, uma burocrata do Departamento de Parques e Recreação da Cidade de Pawnee, em Indiana. A cidade é fictícia mas os personagens tentam ser mais realistas em relação ao The Office exibido hoje em dia. (quase um sitcom, vide as burrices de Michael) A grande trama da primeira temporada (e ainda não resolvida) está centrada num grande buraco feito por uma empresa de construção que ia erguer prédios residenciais, mas acabou falindo no meio do caminho, deixando um enorme abismo no lugar.

A trupe de Parks and Recreation

O elenco de Parks and Recreation.

Em uma reunião do departamento, a jovem enfermeira Ann (Rashida Jones, que fazia “Karen Filipelli” no Office) traz esse assunto para Leslie, já que seu namorado o Roy Andy Dwyer caiu no buraco acidentalmente, fraturando suas duas pernas. Leslie decide que vai resolver o problema da população, instalando um novo parque no lugar do buraco, fato que ele compara aos grandes acontecimentos da política norte-americana.

Leslie e sua dedicação para preencher o buraco e construir um parque.

Leslie e sua dedicação para preencher o buraco e construir um parque.

Leslie é considerada uma das poucas integrantes da política que ainda acredita no sistema (como aqueles professores recém-formados, que acham que podem mudar o mundo) e, justamente por isso, é vista com maus olhares pelos seus colegas de profissão. A ingenuidade de Leslie é muitas vezes motivo de piada, mais um paralelo com Michael de The Office. No núcleo de personagens, o destaque fica para Tom, o pseudo-indiano que faz de tudo para ascender na sua carreira política, puxando o saco de seu chefe, dando pinta de conquistador e tirando sarro de Leslie assim que possível. Uma espécie de híbrido de Dwight e Jim.

A dupla Tom e Leslie tem grande potencial para futuras temporadas.

A dupla Tom e Leslie tem grande potencial para futuras temporadas.

A primeira temporada é curta, composta apenas por 6 episódios de 20 minutos cada. Alguns são mais fracos, outros muito bem pensados, mas a tendência é que as coisas fiquem cada vez melhores, conforme as personalidades dos personagens (e a relação entre eles) vai se solidificando.

Parks and Recreation ainda não é digna de nenhum prêmio, mas é o passo inicial para uma série de comédia que pode, um dia, ser excelente. Talento é o que não falta.

Nota: ★★★½– 3,5/5

Bom

 

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