A indústria da música mudou do formato físico para o digital, mas algo permaneceu constante: o lançamento periódico de singles para promover o trabalho mais recente das bandas.
Nesta seção vou explorar novos singles de bandas cujo trabalho anterior já avaliei, escrevendo também as expectativas para o futuro com o novo material.
Lady GaGa – Bad Romance
O maior furacão da música pop de 2008 e 2009 ataca novamente. Com o relançamento de seu álbum de estreia renomeado para The Fame Monster – Lady GaGa vai contra a sede de dinheiro das gravadoras, produzindo quase um segundo álbum inteiro de músicas inéditas para essa versão ultimate de The Fame. Bad Romance lembra bem Poker Face; e as semelhanças não estão apenas na cantoria de palavras sem sentido. (ha, ha, uh, la, la) A Bad Romance também conta com a parceria RedOne + Lady GaGa, que até agora só produziu hits. O estilo “exótico” no figurino da cantora está estampado na capa do single, com uma roupa vermelha que lembra a usada pela cantora para receber o prêmio de artista revelação no VMA 2009. Um “Bad Taste”, na minha opinião.
Alphabeat – The Spell
Alphabeat – a banda de synth-pop que consegue animar até o mais depressivo dos dias – está de volta com novo single e álbum de mesmo nome: The Spell. Pode-se perceber um som mais techno aqui, avançando um pouco no estilo retrô encontrado no álbum anterior – This Is Alphabeat. Os vocais continuam impecáveis e perfeitamente afinados (mesmo com o inglês não sendo a língua nativa da banda). Faltou uma participação mais expressiva do cantor masculino – Alphabeat produz suas melhores musicas quando os dois participam em mesmo nível – e o refrão (mesmo sendo bom) é superutilizado perto do final. Mesmo assim, The Spell não deixa ninguém parado – muito menos deprimido.
Weezer – (If You’re Wondering If I Want You To) I Want You To
Depois do fraco Red Album, O Weezer tenta a voltar a suas origens de rock geek com o seu novo álbum Raditude. O primeiro single – de título enorme – deixa de lado os embaraçosos versos de rap para dar lugar a um ritmo muito mais alegre e letras mais agradáveis. (alguém gosta de Porco e Feijão, por acaso?) Tenho altas expectativas por uma volta triunfante do Weezer. Um single bom desses já é um excelente sinal. Clipe divertido e criativo mostra a “Weezerville” e o que acontece quando uma mulher atraente passa diante dos fascinados integrantes da banda, que fazem de tudo para chamar a atenção dela.
Fall Out Boy – Alpha Dog
Depois de inúmeros rumores do fim da banda, Fall Out Boy prova que não está morto (ainda) e lança duas músicas inéditas junto com o álbum “Believers Never Die” – uma coletânea de hits passados. Uma versão demo de Alpha Dog na verdade já havia sido divulgada antes do lançamento de Folie à Deux, provando que não se trata, realmente de conteúdo inédito recente, e sim de algumas coisas guardadas no baú. Mesmo assim Alpha Dog é melhor do que muitas músicas de Folie, o que nos faz pensar porque não foi incluida naquela oportunidade. Talvez ela ainda precisava de alguns ajustes mais profundos antes de ser homoglobada como uma música do FOB, talvez os gananciosos empresários de gravadoras queriam ter algo guardado para enventuais indício de separação. (que já estavam ficando fortes no fantástico Infinity On High)
“Welcome to the new dejá vù.”
Green Day – 21st Century Breakdown
Depois da escolha equivocada de “Know Your Enemy” como single de estreia para o álbum sucessor do vencedor do Grammy, American Idiot, o Green Day se redimiu, com duas escolhas muito sábias em termos de singles. A primeira, meio óbvia, 21 Guns. E agora a música que dá título a nova ópera de rock do grupo de Califórnia. O clipe – quase todo feito em tela verde – apresenta um show de efeitos visuais que reforçam a identidade visual adotada pela banda (graffiti em paredes de tijolo) ao mesmo tempo que tentam contar um pouco mais (ainda que superficialmente) a história de Christian e Gloria. Além disso temos uma cena no mínimo polêmica perto do final. Ela chega até a lembrar uma música do Rogério Skylab. Nunca pensei que fosse fazer essa associação musical na minha vida.
AFI – Medicate
Que transformação. É inacreditável pensar que o vocalista do AFI ainda é o mesmo. De fora ficou o penteado assaz ridículo e maquiagem pesada que mais fazia ele parecer com uma mulher. A voz continua a mesma: aguda e expressiva. (e os Oh! também) Para a sua divulgação, foram tutilizados todos os tipos de mídia possíveis e imagináveis: da inclusão no Guitar Hero 5, passagem por Tap Tap Revenge 3 e até clipe grátis da semana na iTunes Store. Nada adianta produzir um álbum bom se ninguém souber disso, não é mesmo? E o fato é que “Crash Love” é um álbum excelente, digno de admiração por todos aqueles que gostam de um bom rock alternativo.
3OH!3 – Starstrukk (feat. Katy Perry)
Poderia um remix salvar uma música? Querendo mostrar que há algo mais do que “Don’t Trust Me” em seu repertório, o 3OH!3 chamou Katy Perry para ajudar em uma versão remixada de seu single antes da fama, Starstrukk. O primeiro clipe era, no mínimo nojento: um bando de pessoas deitadas, uma sob as outras – um caos para os claustrofóbicos.Sem contar que a música original já não era essas coisas. Katy Perry veio, salvou o refrão e uma nova batida trouxe o que faltava em sua musicalidade. Starstrukk foi de uma música mediana para algo de destaque. Santas ferramentas digitais de nossos tempos modernos.







